Sarandi planeja investir no mercado catarinense

Empresa regional, como a empresa de bebidas Sarandi do Rio Grande do Sul, pertencente a familia Zandoná, fala sobre concorrência, mercado,produtos, inovação e tecnologia.
Jairo Zandoná está à frente do negócio familiar que já alcança sua terceira geração
Jairo Zandoná está à frente do negócio familiar que já alcança sua terceira geração
8 de maio de 2012 | 06:32

Assim como grande parte das famílias gaúchas, os Zandoná se reúnem todos os finais de semana para confraternizar e comer churrasco. Chega a segunda-feira e os parentes novamente se encontram. Dessa vez no escritório. O bate-papo informal fica para trás e dá espaço à conversa sobre os negócios da Sarandi, empresa criada há 73 anos por Mário José Zandoná. Hoje, a terceira geração comanda um empreendimento detentor de 35% do mercado de água mineral no Rio Grande do Sul.

Na estrutura de companhia familiar, o diretor-comercial Jairo Zandoná, neto de Mário, é o responsável por percorrer o Rio Grande do Sul e parte de Santa Catarina em busca de novos clientes e fornecedores. A intenção é expandir cada vez mais de tamanho, seja fechando parcerias locais ou ampliando o raio de atuação. Nesse sentido, o próximo passo é reforçar a presença em solo catarinense.

Com um faturamento acima dos R$ 100 milhões, a Sarandi tem uma participação substancial no Produto Interno Bruto (PIB) de Barra Funda, cidade onde fica sua sede. O município era distrito de Sarandi, mas ganhou o status atual pelo impacto econômico da fabricante de bebidas. Dos 2,5 mil habitantes da região, 10% deles trabalham confeccionado água, energético, refrigerante e suco.

Empresas & Negócios - Que avaliação o senhor faz da situação vivida pelo mercado de bebidas no Rio Grande do Sul nos últimos anos?

Jairo Zandoná - A cada ano surgem novos concorrentes, principalmente na água mineral. Nós éramos dois fabricantes, contando as embalagens, há dez anos. Hoje já tem oito fabricantes, com toda uma linha de embalagens. Na linha dos 20 litros, que é quase um mercado em separado, hoje nós temos 22 fabricantes no Estado e, dez anos atrás, eram cinco ou seis. A proliferação de marcas e novos fabricantes é uma tendência no Brasil todo. O Brasil tinha 200 engarrafadores de água e hoje está em 800. A tendência é sempre ter novos concorrentes nesse mercado, que é muito concorrido. A logística, o custo de distribuição na área de bebidas impacta muito, principalmente na água mineral, que tem baixo valor agregado.

Empresas & Negócios - Como tem sido o desempenho dos negócios do setor?

Zandoná - Nas bebidas, 2011 foi um ano difícil. O ano anterior foi melhor. No ano passado, o setor cresceu de 3% a 4%, mas a Sarandi conseguiu crescer 10% no volume físico e 16% no faturamento. Apesar das dificuldades, a gente conseguiu manter nossa taxa de crescimento acima dos níveis de mercado.

Empresas & Negócios - Quanto foi o faturamento em 2011?

Zandoná -  Acima dos R$ 100 milhões.

Empresas & Negócios - Mesmo crescendo acima do nível do mercado, o senhor mencionou que o ano passado não foi tão satisfatório. Por quê?

Zandoná - A nossa meta era crescer 20%, mas a gente chegou a 16%. O mercado retraiu muito em 2011. Em 2010 fez mais calor, já em 2011 o inverno foi mais rigoroso. Isso reduziu as vendas. Até a própria crise impactou nas vendas da metade de 2011 para cá. Mesmo assim, a expectativa é crescer 15% em termos de volume.

Empresas & Negócios - Hoje, os produtos da Sarandi atingem apenas o Rio Grande do Sul?

Zandoná - Temos uma distribuição horizontal no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, principalmente no oeste catarinense. Em São Paulo, Paraná e Mato Grosso, possuímos alguns distribuidores. Nosso foco é, neste ano, ampliar a distribuição no litoral de Santa Catarina. Somos muito fortes no oeste, onde a marca é uma das lideres. Mas, no litoral de Santa Catarina e na grande Florianópolis, temos que melhorar. O nosso projeto para 2012 é montar um centro de distribuição em Florianópolis.

Empresas & Negócios - O centro de distribuição em Florianópolis tem uma data para ser inaugurado?

Zandoná -Não tem data. Está dentro do planejamento para este ano. Queremos fazê-lo, no mais tardar, até o primeiro semestre de 2013.

Empresas & negócios - Mas vocês já estão em negociações para aquisição de terreno e vendo os outros trâmites necessários?

Zandoná - Já temos alguns estudos sobre isso, mas não sabemos se vamos fazer o centro de distribuição ou se fechamos uma parceria, adquirindo algum fabricante local. A nossa ideia é ir para lá. Temos participação, mas muito pontual, nas grandes redes da região de Florianópolis.

Empresas & Negócios - Além de investir para aumentar a participação em Santa Catarina, há a intenção de melhorar a presença em outros estados?

Zandoná - No curto prazo, o nosso objetivo é fechar Santa Catarina e fortalecer o Rio Grande do Sul. Talvez depois a gente pensa em outra situação. Fora da região Sul, não há nenhuma previsão de expansão.

Empresas & Negócios - Nos últimos anos, a Sarandi tem apostado também no mercado de bebidas alcóolicas através de parcerias. Ao todo, quantos produtos a empresa têm em seu portfólio hoje?

Zandoná - Entre embalagens diferentes e sabores, temos 120 produtos. Produzimos água, sucos, refrigerantes e energéticos. Na parte de bebida alcóolica temos parcerias para distribuição. Estamos com um projeto nacional, junto à Associação dos Fabricantes de Refrigerantes do Brasil (Afebras). Dentro da associação criamos um grupo de 13 fabricantes, e temos um de São Paulo que produz chope e a gente distribui, desde o final de 2010. Também efetuamos parceria com a Dado Bier para a distribuição. Além disso, estamos com parceria com um energético norte-americano que entrou no Brasil há dois anos e passamos a distribui-lo desde 2010.

Empresas & Negócios - Vocês procuram parceiros ou são procurados?

Zandoná - As duas mãos. Como circulamos muito junto aos fabricantes e distribuidores, temos muito contato. Por isso, sempre surgem novas oportunidades. A empresa, em síntese, está aberta a parcerias e negociações porque sempre é interessante você agregar parceiros para diluir os custos de logística e agregar mais produtos. A gente partiu para energéticos e chope, por exemplo, buscando essa diminuição de custos.

Empresas & Negócios - Qual foi o último produto adicionado ao portfólio da Sarandi?

Zandoná - Lançamos em janeiro a Ice Cola, que é outra parceria que existe entre os associados da Afebras. O sabor cola corresponde a 55% do refrigerante no Brasil e o guaraná chega a 22%. Esse é um projeto nacional, um produto concentrado em Miami e depois trazido para o País. As franquias da associação, incluindo a Sarandi, estão desenvolvendo a marca no Brasil. Trabalhamos um ano pesquisando o mercado gaúcho e tivemos uma boa aceitação. Queremos 5% nesse mercado de cola no Estado.

Empresas & Negócios - Em quanto tempo é possível chegar a essa parcela de 5% do mercado de cola gaúcho?

Zandoná - Nossa expectativa é que teremos como buscar, nesse ano, 3% do mercado gaúcho de cola, passando para 5% no ano que vem.

Empresas & Negócios - Como a pauta da inovação é trabalhada pela Sarandi?

Zandoná - Todos os fornecedores participam de feiras, buscando ver as tendências do mercado e as novas tecnologias. No final de 2009 adquirimos uma máquina sopradora alemã, que propiciou uma redução de três gramas em cada embalagem PET. Fomos a primeira empresa de bebidas do Rio Grande do Sul a implantar 100% essa embalagem, que reduz o desperdício e o custo de produção.

Por Fernando Soares 

Seção: Empresas & Negócios - Com a Palavra: Jairo Zandoná

Fonte: Lupa Clipping

 

Por: Jornal do Comércio - Porto Alegre

Fonte: 8 de maio de 2012 10:22

Pesquisar Tags:

Sarandi, bebidas, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Zandoná, água mineral


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Comentários

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  • Coluna Do Editor

    ...e aqui estamos nós, em 2017!

    Leticia Evelyn Oliva-Cowell
    23 de janeiro de 2017 01:25
    Industria de Alimentos em 2017, nós estaremos acompanhando.