Em dez anos, cafezinho terá novos aromas

Em dez anos, cafezinho terá novos aromas. 
Ideia inicial é que consumidores escolham o sabor que desejarem 

4 de dezembro de 2012 | 16:57

O tradicional cafezinho preto, da forma como conhecemos hoje, poderá passar por muitas modificações. De acordo com uma pesquisa de melhoramento genético do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), em São Paulo, é possível produzir novas variedades de sabor e aroma do café. A expectativa é que o consumidor tenha uma "carta de cafés", na qual será possível escolher amostras diferentes, com diversificações dos sabores da bebida.

A expectativa do instituto é que essa cartela de sabores chegue ao mercado dentro de dez anos. Em parceria com o IAC, a Universidade Federal de Lavras (Ufla) também possui um colaborador na pesquisa. O professor especialista em cafés especiais e pós-colheita, Flávio Boren, está na coordenação do trabalho de avaliação sensorial do café.

Dados do Ministério da Agricultura mostram que o Brasil já comercializa 15% dos cafés especiais do mundo, considerados superiores devido aos processos de melhoramento genético a que são submetidos, além da qualidade do grão. No país, o comércio do café melhorado representa 10% do mercado nacional, sendo que as pesquisas em inovação do setor podem alavancar, além da venda ao consumidor final, o mercado de commodities para os próximos anos.

Segundo o coordenador da pesquisa de cafés especiais do IAC, Gerson Silva Giomo, há potencial para produção de cafés com variedades de sabor e aroma floral, frutado, achocolatado, cítrico, entre outras possibilidades. "A qualidade do fruto é determinada, principalmente, pela planta, pelo ambiente, pelo processo na lavoura e o manejo pós colheita. Isso marca a qualidade e o aroma do café", diz.

As pesquisas ligadas à análise dos ambientes ideais para o processamento do café também são foco dos estudos. O professor Flávio Boren, da Ufla, explica que é crucial que sejam identificadas novas regiões com potencial para produção. "É necessário investigar novos genótipos adaptados a diferentes ambientes para produção de cafés especiais, diversificando o perfil sensorial das variedades comerciais atualmente disponíveis. O gargalo, entretanto, é a pós-colheita, que ainda precisa ser desenvolvida", conclui.

Bancos genéticos produzem espécies de café especial
A Empresa de Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) mantém, em Patrocínio, na região do Alto Paranaíba, um banco de germoplasma de café. São mais de 1.500 materiais genéticos diferentes, fontes para desenvolvimento de café especial. Desse material, mais de 130 são de café Bourbon, considerado o melhor dentre os cultivados no país. Para o coordenador do Núcleo Tecnológico do Café da Epamig, César Botelho, o banco genético serve como fonte para possíveis produtos com qualidade superior, além de novos aromas.

Em Campinas (SP), o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) possui um banco com mudas de café de todo o mundo, a fim de cruzar informações entre as plantas, cultivá-las em locais diferentes, e avaliar os resultados, identificando novas variedades.

Potencial
MG pode produzir café exótico
A qualidade dos grãos com melhoramento genético beneficia o mercado, e o café especial chega a ser comercializado valendo o dobro do grão comum. Minas Gerais, que é o maior produtor cafeeiro do país, com mais de 1 milhão de hectares cultivados, tem capacidade potencial para produzir grãos desenvolvidos.

"O mais importante é investir na produção de cafés cada vez com menos defeitos. Isso é o principal no mercado mundial. Mas, para os produtores, é fundamental reduzir a quantidade de defeitos, pois é a maneira mais eficiente e rápida de agregar valor ao produto", explica o especialista em cafés especiais e pós-colheita da Universidade Federal de Lavras, Flávio Boren.

Boren também conta que o investimento em pesquisas de melhoramento genético é estratégico, facilitado pelo o comércio de commodities. "São dois mercados consumidores muito distintos: um que consome commodity e o outro que busca cafés especiais cada vez mais diferenciados. Para esse público selecionado, o produto pode ser muito rentável", frisa.

Por: Redação

Fonte: O Tempo em 4 de dezembro de 2012 16:52

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