Azeite produzido em Minas pode ser comparado aos melhores do mundo

Delfim Moreira é uma das cidades do Sul de Minas que vêm se destacando na produção do azeite extravirgem.
O azeite orgânico Verde Oliva foi classificado como extravirgem, com 0,1% de acidez. Foto: Divulgação
O azeite orgânico Verde Oliva foi classificado como extravirgem, com 0,1% de acidez. Foto: Divulgação
2 de abril de 2013 | 13:07

Foi neste município, localizado na Serra da Mantiqueira, que o produtor Newton Kraemer Litwinski encontrou lugar ideal para investir na olivicultura, em 2008. Na Fazenda Verde Oliva o produtor está extraindo azeite extravirgem de qualidade comparável aos melhores azeites do mundo, com o diferencial de ser orgânico. O azeite orgânico vem atraindo a atenção dos consumidores numa procura maior que a demanda. A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG) acompanha o processo de produção orgânica desde as primeiras mudas.

O azeite orgânico Verde Oliva foi classificado como extravirgem, com 0,1% de acidez, índice menor ao exigido na classificação do produto como extravirgem, que é 0,2% a 0,7% de acidez. Segundo Litwinski, a qualidade do azeite extraído em sua fazenda foi avaliada em outubro do ano passado, por espanhóis que visitaram sua propriedade e levaram o produto para a Europa. “O azeite colhido nos primeiros meses do ano, apresentava 0,1% de acidez no mês de outubro. Não oxidou. Para os espanhóis isso é fantástico. O grupo europeu ficou maravilhado com a produção e já visitou a propriedade outras duas vezes”, informa.

Segundo o produtor, clima frio não é sinônimo de sucesso com as oliveiras. É preciso atentar para outras condições. “A oliveira depende de muito sol e o frio não pode ser exagerado. O ideal é variar de 10 a 2 ou 3 graus negativos no máximo. A planta precisa de 600 horas de frio por ano e um pouco de geada. Mas não precisa de neblina e, por isso, no Brasil é complicado achar o clima certo. E, na Mantiqueira o clima é diferente do sul do Brasil e do Chile. Aqui chove bastante e a oliveira precisa de 1.300 milímetros de água por ano, mas precisa também de um período de estiagem para a floração”.

A produção do azeite orgânico na Fazenda Verde Oliva é exemplo de que é possível produzir azeite de qualidade em Minas Gerais. Para mostrar esse modelo que tem dado certo, o engenheiro agrônomo e extensionista da Emater-MG, Eduardo Carneiro Neto, costuma levar agricultores para conhecer o sistema produtivo da Fazenda Verde Oliva, com o objetivo de incentivar os agricultores a investir nesse novo segmento que desponta em Minas Gerais.

“Nós acompanhamos o investidor desde o início com suporte técnico, acompanhamos o processo de certificação de seu produto pelo Instituto de Biodinâmica (IBD) e, também na constituição da Associação dos Produtores de Orgânicos de Delfim Moreira, que dá credibilidade aos produtos junto ao consumidor”, destaca.

Litwinski informou que o Verde Oliva chega a 0,1% de acidez e está entre os melhores azeites extravirgem orgânico de montanha do mundo, fruto de uma dedicação intensa que prioriza a colheita manual, dando tratamento único para todas as frutas, num processo onde se colhe frutas maduras, não se colhe azeitonas verdes e nem folhas. Desta forma, durante o período de colheita, janeiro a abril, se passa várias vezes pelos pés de oliveira.

Atualmente, a Fazenda Verde Oliva tem 3.500 plantas em produção. O litro do azeite sai a R$ 200. A produção de 2013 está toda reservada. O produtor está recusando encomendas, pois a procura superou o planejado. Além disso, está negociando as vendas, vendendo um pouco menos do solicitado para ter reserva de azeite para demonstração.

Em Delfim Moreira há outros três produtores de azeite orgânico. E, segundo informação de Alexandre Kurachi, gerente regional da Emater-MG de Pouso Alegre, no Sul de Minas, outras três cidades também estão investindo na produção de azeite orgânico. As cidades de Senador Amaral, Gonçalves e Camanducaia, buscam a qualidade orgânica do azeite na Serra da Mantiqueira como diferencial de suas produções. Os produtores destas cidades contam com a assistência técnica da Emater-MG.

Este ano, de acordo com o gerente da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), Alessandro Gonçalves, a expectativa é que os 700 mil pés de oliva da região rendam 10 mil litros de azeite, significando um aumento de 212% em relação a 2011. O ritmo desta produção é resultado de um investimento da Epamig, que mantêm uma Fazenda Experimental em Maria da Fé, cidade localizada na Serra da Mantiqueira.

Para garantir a genuinidade e a qualidade do azeite produzido nas cidades da Mantiqueira, a Epamig e Associação dos Olivicultores dos Contrafortes do Mantiqueira (Assoolive) deram início ao processo de registro de indicação geográfica e denominação de origem deste produto. Em dezembro de 2009, fiscais federais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e dos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

Fonte: Portal Agência Minas em 2 de abril de 2013 13:03

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Fazenda Verde Oliva, azeite, orgânico, extravirgem, olivicultura, acidez


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  • Coluna Do Editor

    ...e aqui estamos nós, em 2017!

    Leticia Evelyn Oliva-Cowell
    23 de janeiro de 2017 01:25
    Industria de Alimentos em 2017, nós estaremos acompanhando.