Corte radical de sódio nos alimentos

O Ministério da Saúde formalizou na manhã de ontem a quarta etapa de um acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) para reduzir a quantidade de sódio na comida industrializada
6 de novembro de 2013 | 09:09

Desta vez, a redução se dará nas sopas prontas, nos laticínios e nos embutidos, que se somarão as treze categorias de alimentos que já fazem parte do acordo. Em alguns casos, a redução do teor de sódio chegará a 68% e deverá ser atingida em quatro anos. Com o acordo de ontem, a iniciativa passa a abranger 90% dos alimentos industrializados consumidos no país, segundo o ministério.

"Você não consegue oferecer produtos mais saudáveis para 200 milhões de habitantes sem estabelecer uma forte parceria com a indústria. É impossível atingir esse objetivo sem estimular a indústria alimentícia a pesquisar e inovar para oferecer alimentos saudáveis", disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na formalização do acordo. Dados de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o brasileiro consome, em média, 12 gramas (g) diárias de sal. O ideal recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de apenas 5g por dia. O consumo excessivo de sódio, presente no sal de cozinha, está relacionado a problemas de saúde como hipertensão e acidente vascular cerebral (AVC). "Quando o ministério iniciou, em 2011, essa estratégia em conjunto com a indústria de alimentos, nós tínhamos clareza dos fatores que precisam ser trabalhados para diminuir o problema das doenças crônicas, como a hipertensão", completou Padilha. O ministro informou ainda que o açúcar deve ser o próximo produto a ser objeto de controle, em acordo com a indústria.

A maior redução se dará no queijo muçarela. Até 2016, o produto deverá perder 68% do sal. O requeijão cremoso vem em seguida, com corte previsto de 63%. As menores reduções percentuais serão implementadas nos embutidos, como salsicha (-29,8%) e mortadela (-16%). Padilha esclareceu que a redução deve ser feita de forma cautelosa, tanto pela importância do sal como conservante, quanto para preservar o sabor dos alimentos. "Se você mexe muito num produto e altera o sabor, não adianta nada, o consumo pode cair. É muito bonito para mostrar no rótulo, mas ninguém está comendo", exemplificou o ministro.

A adesão ao acordo é voluntária para os produtores de alimentos. Para verificar o cumprimento das metas entre os que aderiram ao programa, o MS analisa rótulos e dados fornecidos pelos fabricantes. Com o acordo, também fará testes laboratoriais. Nos próximos meses, a pasta começa a aplicar esse tipo de controle nos alimentos incluídos no acordo de 2011, que contempla produtos como bisnaguinhas e pães de forma.

Hipertensão
Aos 80 anos, a esteticista Maria do Socorro Santos faz parte de uma minoria: a dos brasileiros que conseguem envelhecer livre das doenças cardíacas. "Acho que é porque eu sempre tive essa preocupação em manter uma alimentação saudável, com muitos legumes e verduras frescas. Não sou fã desses alimentos prejudiciais", conta ela. Segundo dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), quase 60% da população brasileira acima de 60 anos sofria de hipertensão em 2012. A doença atinge 24,3% da população.

Fonte: Jornal Correio Brazilense em 6 de novembro de 2013 09:05

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Comentários

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  • Coluna Do Editor

    ...e aqui estamos nós, em 2017!

    Leticia Evelyn Oliva-Cowell
    23 de janeiro de 2017 01:25
    Industria de Alimentos em 2017, nós estaremos acompanhando.