Mulher assume linha de frente na gestão financeira

Cada dia mais representativa no mercado de trabalho, a mulher moderna está assumindo a linha de frente na gestão do orçamento doméstico e, com a renda maior, enfrenta o desafio de conciliar as finanças da família com os gastos e responsabilidades pessoais
9 de março de 2015 | 12:57

Se antigamente o homem era o principal - quando não o único - provedor do sustento familiar, atualmente elas estão ocupando cargos cada vez mais importantes em seus empregos, com salários mais expressivos, contribuindo de maneira significativa e muitas vezes majoritária para o orçamento doméstico.

Essa maior participação na renda do lar está abrindo espaço para a mulher tomar decisões financeiras que vão além das compras do supermercado e das decorações da casa: elas estão também ajudando a decidir sobre o pacote da TV por assinatura, as próximas férias da família, o momento de trocar o carro e quais as melhores aplicações financeiras.

"Às vezes são elas que decidem até mesmo sobre as compras do próprio marido", brinca Reinaldo Domingos, educador financeiro da DSOP Educação Financeira.

Diante do cenário, as mulheres estão buscando meios de administrar esse novo padrão de vida, em que viram novas responsabilidades se somarem às antigas. Em uma pesquisa do Serviço Proteção ao Crédito (SPC Brasil), 62% das mulheres afirmaram ter uma vida financeira organizada, contra 64% dos homens.

De acordo com a economista-chefe da entidade, Marcela Kawauti, não só as mulheres, mas o brasileiro em geral ainda não sabe se planejar financeiramente e separar os gastos pessoais dos familiares.

"A saída é a educação financeira. Colocar tudo na ponta do lápis e se planejar para o futuro, mesmo que for para daqui um ano", pondera. No caso das despesas familiares, o principal ponto é conversar sobre as finanças domésticas. "Muitas famílias deixam para falar só quando "a bomba está para estourar"", observa.

Na avaliação de Domingos, a mulher é mais receptiva à educação financeira que o homem e deve sair na frente em relação ao tema. "Ela tem aptidão em mudar, em aprender coisas novas", observa.

A mulher e o cartão

Um dos maiores clichês da relação entre as mulheres e as finanças é o cartão de crédito. Segundo a pesquisa do SPC, 64% das mulheres ouvidas avaliam a situação financeira antes de adquirir um produto, contra 65% dos homens.

Para Kawauti, os números derrubam por terra o preconceito de que as mulheres são mais impulsivas nos gastos. "O comportamento é muito similar entre homens e mulheres", diz a economista.

O diretor de marketing e relacionamentos da Sorocred, Wilson Justo, afirma que o clichê surgiu porque, antes, as mulheres não tinham renda própria e "utilizava o recurso sem criar a proporcionalidade do que poderia ser gasto". "Hoje, com a mulher mais bem colocada no mercado, isso vem mudando", afirma.

Na avaliação de Domingos, contudo, a premissa do cartão ainda é verdadeira, principalmente porque ela está na "linha de frente da cadeia comercial". "A mulher quer sempre algum item novo", diz. Ele aponta que a solução é a definição de projetos e sonhos, que levem a mulher a poupar para o longo prazo.

Renda e Previdência

De acordo com dados do IBGE de 2010, no setor de serviço o salário da mulher é quase metade da remuneração do homem e, em saúde, elas recebem 55,6% do que os pares masculinos ganham.

Embora essa ainda seja uma realidade, ela caminha para mudanças. Com a tendência do salário entre homens e mulheres ter mais equidade, entretanto, a cadeia comercial deve aumentar ainda mais a pressão sobre a mulher para que ela consuma.

Produtos financeiros e não financeiros voltados para as mulheres já estão surgindo nos bancos, principalmente nos ramos de seguros de vida e Previdência.

Por: Pedro Garcia

Fonte: Jornal DCI em 9 de março de 2015 12:52

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Comentários

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  • Coluna Do Editor

    ...e aqui estamos nós, em 2017!

    Leticia Evelyn Oliva-Cowell
    23 de janeiro de 2017 01:25
    Industria de Alimentos em 2017, nós estaremos acompanhando.