Evento no ITAL trata os desafios e perspectivas para a redução de açúcar em alimentos

O consumo emexcesso de açúcares livres está diretamente associado ao sobrepeso e ao desenvolvimento de cáries dentárias.
3 de novembro de 2016 | 17:22

O ganho de peso por sua vez pode levar ao desenvolvimento de outras doenças crônicas não transmissíveis como, por exemplo, o diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares. Os açúcares livres incluem mono e dissacarídeos adicionados aos alimentos e bebidas pelas indústrias, os açúcares adicionados pelos consumidores quando estes preparam seus alimentos e os açúcares naturalmente presentes no mel, xaropes, sucos de frutas e sucos de frutas concentrados (WHO, 2015).

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), açúcar é a sacarose obtida a partir do caldo de cana-de-açúcar (Saccharumofficinarum L.) ou de beterraba (Beta alba L.). São também considerados açúcares os monossacarídeos e demais dissacarídeos, podendo se apresentar em diversas granulometrias e formas de apresentação. Exemplificando, temos os monossacarídeos frutose, galactose e glicose, os quais estão prontos para serem absorvidos pelo organismo e os dissacarídeos sacarose, lactose e maltose, os quais deverão ser quebrados em monossacarídeos antes de serem absorvidos.

No mundo, a obesidademaisquedobroudesde 1980. Em 2014, 39% dos adultos maiores que 18 anos estavam acima do peso e 13% obesos (WHO, 2016). De acordo com dados do VIGITEL (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico, 2014), 52,5% dos brasileiros estão acima do peso e 17,9% da população está obesa.

Quando ao consumo de açúcar, de acordo com a Análise do Consumo Alimentar Pessoal no Brasil-POF 2008-2009 (IBGE, 2010), 61% da população apresentou prevalência global de ingestão de açúcar livre (açúcar de adição somado ao açúcar proveniente dos sucos) acima do limite recomendado pelo Ministério da Saúde (MS), que é de 10% do VET (Valor Energético Total da dieta), tendo o consumo ficado em 14% do VET. Ou seja, a recomendação é de que esse consumo não ultrapasse 50 g de açúcares livres por dia e o brasileiro consumiu em média 70 g por dia. Para maiores benefícios à saúde bucal, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que este consumo seja em torno de 25 g de açúcar por dia.

Diante deste cenário, um dos centros de pesquisa da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, o Centro de Tecnologia de Chocolates, Balas, Confeitos e Produtos de Panificação (CEREAL CHOCOTEC), unidade integrante do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), juntamente com o apoio de seu Conselho Consultivo, decidiu ser estratégico promover no dia 9 de novembro de 2016 o Seminário “Desafios Tecnológicos e Perspectivas para a Redução de Açúcar nos Setores de BakeryeConfectionery”. Cabe destacar que o Conselho Consultivo do Cereal Chocotec é atualmente formado por membros de órgãosgovernamentais e de entidades que representam o setor produtivo, sendo essas: Associação Brasileira da Indústria de Alimentos para Fins Especiais e Congêneres (ABIAD), Associação Brasileira da Indústria e Comércio de Ingredientes e Aditivos para Alimentos (ABIAM), Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Bala e Derivados(ABICAB), Associação Brasileira das Indústrias de Equipamentos, Ingredientes e Acessórios para Alimentos (ABIEPAN), Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (ABIMAPI), Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (ABIP), Associação Brasileira da Indústria do Trigo (ABITRIGO), Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE-SP),Sindicato da Indústria de Massas Alimentícias e Biscoitos no Estado de São Paulo (SIMABESP),Secretaria de Agricultura e Agricultura (SAA) e Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (FUNDEPAG).

A organização do evento está sob responsabilidade do Cereal Chocotec/ITAL, ABIAD e ABIMAPI; além de contar com a participação do Ministério da Saúde e da ANVISA.

O objetivo do Seminário é apresentar os principais desafios tecnológicos e analíticos relacionadosà redução de açúcar em produtos de “bakery e confectionery”, abordando tópicos como: cenário brasileiro de consumo de açúcar e estratégias nacionais para a redução de consumo; rotulagem nutricional; desafios tecnológicos para a redução de açúcar e desafios analíticos para quantificação de açúcar de adição, além de apresentar alguns ingredientes alternativos ao uso de açúcares.

O evento será uma grande oportunidade para se discutir quais serão as estratégias nacionais frente ao grande desafio que é a redução do consumo de açúcar de adição. O FDA (Food and Drug Administration), órgão governamental dos Estados Unidos da América, responsável pelo controle de alimentos, publicou em maio de 2016 novas regras para rotulagem de alimentos, onde o total calórico por porção do produto terá que aparecer em destaque na Informação Nutricional, além do que deverão ser declarados os açúcares de adição em gramas e também em porcentagem do VET. Esta estratégia poderá orientar as políticas governamentais e também aos consumidores no controle do que consomem. No Brasil, a questão da revisão da rotulagem foi iniciada sob coordenação da Anvisa, mas paralelamente, a exemplo da experiência exitosa na redução do sódio, governo e indústrias começaram a discussão da redução do teor de açúcar (mono e dissacarídeos) dos alimentos processados.

Por: Iara

Fonte: Ital em 3 de novembro de 2016 17:19

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Comentários

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  • Coluna Do Editor

    ...e aqui estamos nós, em 2017!

    Leticia Evelyn Oliva-Cowell
    23 de janeiro de 2017 01:25
    Industria de Alimentos em 2017, nós estaremos acompanhando.