Comer fora do lar sobe quase 24%

Além da pressão inflacionária dos alimentos, a alta do preço dos aluguéis, da carga tributária e o aumento dos salários contribuíram para o avanço.
4 de abril de 2013 | 07:58

Está mais caro comer fora de casa: a pressão nos preços dos alimentos, assim como a elevação da renda e da oferta de empregos, puxaram a alta no preço da refeição fora do lar em 2012. Estudo divulgado ontem pela Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador (Assert) aponta que o valor médio desse tipo de refeição alcançou R$ 27,40 no ano passado, ante R$ 22,37 em 2011. Na Capital paulista, o preço ficou em R$ 30,71 - cifra 12,1% maior que a média nacional.

    Por região, a média foi maior no Norte (R$ 30,45), que enfrentou altas expressivas na cesta básica e nos gastos com frete devido à localização, de acordo com o presidente da Assert, Artur Almeida, seguida pelo Sudeste (R$ 29,51) e Centro-Oeste (R$ 26,85). Os menores preços foram encontrados nas regiões Sul (R$ 26,55) e Nordeste (R$ 23,74), onde "a variedade de restaurantes populares pode explicar a média menor, explicou Almeida.

    De modo geraI, o componente inflacionário foi o que mais influenciou o aumento na refeição fora do lar: baseada na inflação oficial (IPCA) medida pelo instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o grupo Alimentação e Bebidas, que detém a maior parcela do orçamento familiar (23,93%), subiu 9,86%, em 2012, em relação a 7,18% de 2011 - o que significa que a população de baixa renda é a mais afetada. "Esse tipo de gasto chega a comprometer até um terço da sua renda", lembra o presidente da Assert.

    Na pesquisa Refeição Assert Preço Médio 2013, elaborada pelo instituto Análise, foram consultados 4.440 estabelecimentos no País entre novembro e dezembro de 2012, e medidos os preços de quatro tipos de refeição fora do lar: autosserviço, prato feito, executivo e à la car- te, baseados no pagamento do prato principal, bebida não alcoólica, sobremesa e cafezinho.

    Tendência - Apesar da percepção pela pesquisa de aumento no número de estabelecimentos que trabalham com food service de um ano para outro (hoje são cerca de 1 milhão, conforme a Associação Brasileira da Indústria de Alimentação - ABIA), outros fatores pesaram na alta do valor cobrado pela refeição fora do lar, conforme relato dos entrevistados. Entre eles, a alta do preço dos aluguéis, da carga tributária e o aumento dos salários aliado à falta de trabalhadores qualificados - que impactam diretamente nos gastos com mão de obra. "Mesmo sendo um segmento sensível às transformações da economia, principalmente no caso dos restaurantes menores, eles são grandes empregadores que sempre se ajustam e fazem adaptações para não perder clientes", diz.

    “Pela última pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2008-2009) do IBGE, o percentual desse tipo de gasto representava 31,1% do total, ante 24,1% na POF anterior (2002- 2003). Certamente, na próxima, deve chegar aos 40%, demonstrando que cada vez mais pessoas farão suas refeições fora de casa”, acredita.

    Benefícios —"Sobra mês para pouco tíquete." A frase, geralmente ouvida em tom de piada, mostra a defasagem que existe entre o valor médio das refeições no País e o que chega efetivamente ao bolso do trabalhador. Os R$ 13 de valor médio do benefício concedido com base no Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), de acordo com Artur Almeida, são motivos de discussão constante por ser considerado "insuficiente".

    Mesmo que não exista lei que obrigue as empresas a conceder o voucher para refeição/alimentação (só é obrigatório quando firmado em acordo coletivo), o ideal, afirma o presidente da Assert, é que se adequasse o valor das refeições e se considerasse também aspectos nutricionais. Atualmente, explica, um terço dos trabalhadores com registro em carteira (16 milhões) têm acesso ao benefício, sendo que 80% têm renda até cinco salários mínimos. Já o acesso de outros 48% do total é por meio de restaurantes nas dependências das fábricas. Tudo depende da conscientização das empresas para incluir refeição/alimentação no plano de benefícios. Já é mais do que com prova do que essa é uma política de RH que leva a ganhos, pois contribui para aumentar a competitividade e a produtividade”. afirma Almeida.

Seção: Economia

Fornecedor: Lupa Clipping

Por: Karina Lignelli

Fonte: Jornal Diário do Comércio / São Paulo em 4 de abril de 2013 07:54

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alimentação, fora do lar, preços, tíquete, tendências, benefícios, economia


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Comentários

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  • Coluna Do Editor

    ...e aqui estamos nós, em 2017!

    Leticia Evelyn Oliva-Cowell
    23 de janeiro de 2017 01:25
    Industria de Alimentos em 2017, nós estaremos acompanhando.